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Psico-oncologia auxilia na saúde mental de homens com cânceres de próstata e pênis

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Brasil
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O câncer tem diferentes impactos emocionais e sociais em cada paciente. A psico-oncologia é uma importante interface entre a psicologia e a oncologia, tendo papel fundamental no tratamento de pacientes. Diante disso, o psicólogo trata principalmente dos aspectos emocionais dos pacientes, ajudando a enfrentar a doença que ainda carrega um estigma muito grande perante a sociedade e interfere na qualidade de vida, aspectos sociais, físicos, rotina e familiar.

Dia 27 de agosto é comemorado o Dia do Psicólogo. Quem procura por este profissional, faz essa busca para se conhecer melhor e ajudar a identificar as suas vulnerabilidades. Assim como os cuidados com a alimentação e atividade física, também precisamos cuidar da nossa saúde mental, principalmente na descoberta de doenças.

Os profissionais de saúde envolvidos no tratamento do câncer reconhecem amplamente os efeitos psicológicos causados pela doença, principalmente, câncer de próstata e de pênis, onde há muito preconceito por parte do próprio paciente em aceitar. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA)  a estimativa para novos casos no Pará é de 930 para câncer de próstata. Já o câncer de pênis é muito atípico e representa apenas 2% dos tipos de câncer que atingem homens, embora raro, manifesta-se de forma agressiva por lesões e alterações de coloração da glande, ou em forma de ferida ou úlcera persistente e tumoração. 

A falta de informação e os aspectos culturais, como o machismo, tem impacto no diagnóstico e controle da doença, muitas vezes associada com a perda da virilidade. Como consequência disso, há o isolamento e a baixa autoestima do enfermo que, não raro, tem dificuldade em procurar atendimento médico e, quando o faz, interrompe o trabalho e as atividades sociais durante o tratamento.

Segundo a psicóloga Roberta Gondim, do Hospital Ophir Loyola, referência em oncologia no Estado do Pará, a maioria dos homens com câncer de próstata ou pênis sente vergonha e com a masculinidade atingida. “O câncer específico do homem envolve a masculinidade e a virilidade. O papel dele passa a ser questionado diante a sociedade através desse tumor. Para o homem, a principal representatividade da sua masculinidade é o órgão sexual, muitas vezes tendo que ser retirado através de cirurgia no tratamento do câncer de pênis. O psicólogo é importante na tentativa de oferecer suporte emocional diante dessas questões que surgem. Reverter a situação é um trabalho, muitas vezes difícil, mas é algo que precisa ser feito em conjunto com o paciente. A partir do desejo do enfermo de enfrentar uma nova realidade e entender que a sexualidade não tem ligação com a potência ou órgão”, afirmou.

O músico Moacir Santos, 71 anos, foi diagnosticado com câncer de próstata e desde o momento da notícia já recebeu os primeiros atendimentos e acolhimento dos profissionais da psicologia. "Desde o início, tenho feito acompanhamento psicológico diário, vêm psicólogos para fazer as consultas e estou muito satisfeito com a forma como sou tratado por eles. Procuram sempre me orientar para que eu nunca fique abalado, para saber o que estou sentindo e como minha parceira está lidando com toda essa situação”, disse.

Além dos atendimentos com os pacientes, os psicólogos do Ophir Loyola também auxiliam os familiares. “A família do enfermo também sofre junto com ele e também tem a vida interferida a partir desse diagnóstico”, acrescentou Roberta. 

A esposa do Moacir, Juliete Andrade, também recebeu atendimentos dos profissionais de psicologia do hospital. “O acompanhamento foi correto, veio para me dar tranquilidade. O Moacir é forte e lidou bem com a situação, eu fiquei mais abalada, foi horrível saber que ele estava com a doença, veio como uma bomba. Mas com o acompanhamento e o acolhimento, eu fui ficando mais tranquila, aceitei e deu tudo certo com ele”, relatou. 

O foco na saúde do homem é integral. É preciso ir além do físico e ter atenção também para o emocional. Para esse cenário melhorar é preciso que os homens entendam a importância de estar com a saúde mental em dia. O acesso à informação tem contribuído para diminuir a dificuldade e o preconceito com a busca de tratamentos físicos e emocionais por parte dos mesmos. 

Texto: Viviane Nogueira