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Pacientes sem voz recebem laringes eletrônicas de projeto

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Por ser referência no tratamento oncológico, o Hospital Ophir Loyola recebeu, nesta terça-feira (26), a Rede+Voz com o “Projeto Laringe Eletrônica - Uma Voz Possível” da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), de Santa Catarina. A organização social, sem fins lucrativos, busca conectar todas as instituições referenciadas em oncologia e cirurgia de cabeça e pescoço do país com o intuito de construir políticas públicas e trabalha em prol do diagnóstico e da reabilitação integral dos pacientes.

A Associação doou 15 laringes eletrônicas aos laringectomizados totais – remoção da laringe devido ao câncer, incluindo a cartilagem tireoide, cordas vocais e epiglote – em situação de vulnerabilidade social, assistidos pelo hospital. O dispositivo eletrônico pequeno, leve e portátil funciona como um vibrador sonoro, sendo ativado por duas pilhas recarregáveis num carregador com cabo USB.

“Esse equipamento permite a emissão de sons através da vibração da musculatura do pescoço logo no pós-operatório, facilitando a comunicação dos pacientes com cuidadores e familiares”, informou Gabriel Marmentini, diretor da ACBG.

A voz é uma das principais ferramentas de comunicação usadas pelo ser humano e é produzida na laringe, pelas vibrações das pregas vocais sob pressão do ar vinda dos pulmões durante o ato da expiração. Os submetidos à laringectomia total perdem a voz definitivamente.

O câncer de laringe é mais comum em homens, fumantes por longo período, que usaram álcool junto com o cigarro e com idade a partir de 50 anos. A cirurgia de remoção deixa sequelas fisiológicas e psicológicas, como a redução do olfato e paladar, afeta a autoimagem, a autoestima e as relações sociais. A reabilitação do paciente no meio social requer um atendimento mulstidisciplinar ofertado pelo Hospital Ophir Loyola.

Ao fonoaudiólogo, compete a busca de alternativas para a produção de uma nova voz, porém o processo é lento. “São pacientes que retiraram todo o arcabouço da laringe e precisam ser reabilitados inicialmente com uma voz esofágica e/ou com laringe eletrônica. É muito impactante para um paciente ficar sem voz, por isso trabalhamos a autoaceitação durante a reabilitação da nova condição vocal”, esclareceu Brena Habib, coordenadora da Divisão de Fonoaudiologia do hospital.

Segundo Brena, alguns pacientes ficam desmotivados porque demoram muito tempo para adquirir uma voz esofágica. Uma situação vivenciada todos os dias por José Otávio, 48 anos, morador da Ilha de Mosqueiro. Há dois anos e três meses, ele retirou a laringe devido ao câncer nessa região. “Tenho dificuldade de engolir os alimentos e às vezes fico triste. Não é fácil avistar um amigo ao longe e não conseguir chamá-lo”.

Apesar do esforço, José não desenvolveu a voz esofágica, mas hoje recebeu o aparelho que permitirá uma comunicação mais eficaz. “Estou muito feliz. Há muito tempo queria comprar a laringe eletrônica, porém custa cerca de dois mil reais e não tinha esse dinheiro”, afirmou. Ele, assim como os outros pacientes, continuará assistido pela equipe formada pela fonoaudiologia, nutrição, odontologia, serviço social e psicologia da unidade de saúde.

A Divisão de Fonoaudiologia realiza um trabalho de orientação no pré e pós-operatório na Clínica de Cabeça e Pescoço e reabilitação no ambulatório. “A inclusão no projeto ajudará a cada um deles a sair do mundo de silêncio por não conseguirem desenvolver a voz esofágica, devolvendo a comunicação funcional e a autoestima além da ressocialização desse paciente até mesmo com a reinserção no mercado de trabalho”, comemora Brena.

Por Leila Cruz