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Paciente se recupera bem após cirurgia rara no Ophir Loyola

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Passa bem o paciente Saulo Melo, de 31 anos, submetido a uma cirurgia rara no Hospital Ophir Loyola, em Belém. Devido a um câncer avançado de pelve, ele precisou remover toda parte inferior do corpo para continuar vivo, o equivalente a 40% da composição física. Apesar da nova condição, ele aprendeu desde cedo a conviver com limitações e, não raro, utiliza os rabiscos e livros de fantasia e aventura para imaginar uma realidade bem diferente da habitual. Saulo nasceu com espinha bífida, uma malformação congênita do sistema nervoso resultante de um defeito na formação do tubo neural (estrutura embrionária), caracterizada por paralisia, ausência de sensibilidade na região lombar e outras complicações funcionais.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas, quando menino era considerado o mais travesso dos três filhos de dona Selma, no município de Vigia, onde reside com a família. E, a exemplo de outras crianças, sonhava com várias profissões, porém a saúde delicada permitiu apenas a conclusão do ensino fundamental completo. “Na infância a gente que ser muita coisa, a cada dia escolhemos uma profissão diferente, mas sempre gostei de desenhar e de histórias que me transportavam para um outro lugar, um mundo novo criado por mim, onde não há restrições”, afirmou o rapaz.

Ao longo de seus trinta anos, por permanecer muito tempo na mesma posição, desenvolveu úlceras de pressão que, posteriormente, evoluíram para o câncer. Apesar dos tratamentos realizados, o tumor invadiu os ossos e agravou ainda mais o estado de saúde dele. Após o esgotamento de todas as abordagens clínicas possíveis, a hemicorporectomia foi sugerida como último recurso para preservar a vida e tentar oferecer uma qualidade de vida mais satisfatória ao jovem.

As condições clínicas como hemorragia e o tipo sanguíneo raro, O negativo, elevou o risco de óbito para 90%, um desafio para a medicina. Somente após avaliações psicológicas e psiquiátricas, planejamento prévio detalhado e parecer da Comissão de Ética Médica do Hospital Ophir Loyola, em Belém, a cirurgia foi realizada de forma pioneira no Pará. “Sabia dos riscos, mas não tinha opção, então confiei em Deus e nos médicos”, afirmou Saulo.

O procedimento retirou a pelve e membros inferiores, utilizando retalho vascularizado do músculo anterior da coxa para servir de apoio aos órgãos internos abdominais e coluna lombar remanescente, durante o fechamento do tronco. Segundo o cirurgião Rafael Maia, a hemicorporectomia associada à colostomia é considerada uma das cirurgias mais complexas. “A cirurgia lhe ofereceu uma nova perspectiva, o que o obrigará adaptar-se à nova realidade, entretanto, com melhor qualidade de vida”, enfatizou.

A enfermeira Clarissa Mendes da Clínica Cirúrgica informou que o paciente esteve apenas quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva e seguiu para a enfermaria no nono dia de internação hospitalar, onde continuou a receber todos os cuidados da equipe multidisciplinar necessárias à rápida e contínua recuperação.

“Desenvolvemos um carinho especial pelo Saulo, ele tem muita vontade de viver. Existe todo um cuidado de enfermagem específico, não é só a oferta de uma assistência empírica, mas um cuidado individualizado pautado no conhecimento científico para atender o paciente em todas as suas necessidades biopsicossociais”, ressaltou a enfermeira.

A próxima etapa em direção à recuperação, será a reabilitação especializada no I Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação para Pessoa com Deficiência (CIIR) do Pará, prestes a ser inaugurado. Na última semana, uma equipe do CIIR esteve na clínica cirúrgica a convite da gestão do Ophir Loyola para fazer uma avaliação global do paciente.

A gerente assistencial do CIIR, Paolla Reis, contou que a equipe montou uma aula para estudar a condição rara de Saulo, já que não há muitos casos de hemicorporectomia registrados. “A avaliação inicial buscou entender as necessidades, conhecer as expectativas a respeito do tipo de autonomia que ele pretende alcançar e analisar as possibilidades de reabilitação. Nós já fizemos, inclusive, contato com uma oficina ortopédica de São Paulo sobre a produção e adaptação de uma prótese, faremos todo um planejamento para uma reabilitação de forma mais humanizada possível”, disse.

Por Leila Cruz