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Ophir Loyola incentiva a doação de medula óssea

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De 14 a 21 dezembro é celebrada a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea. A semana foi instituída pelo Congresso Nacional em 2009 com a Lei nº 11.930, que determina a realização de atividades de esclarecimento e incentivo à doação de medula óssea e à captação de doadores. As campanhas surtiram efeito e colocaram o Pará como o estado da região Norte com maior número de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) com 118,950 mil inscritos, à frente de Rondônia com 115,mil e de Tocantins com 53,760 mil cadastrados.

Conhecida popularmente como "tutano", a medula óssea é um tecido líquido que preenche a cavidade interna dos ossos. É considerada a fábrica do sangue por produzir componentes como as hemácias que carregam oxigênio aos tecidos e participam da liberação de gás carbônico; e também os leucócitos, as células de defesa para proteger contra vírus, bactérias e demais patógenos, assim como as plaquetas que participam do processo de hemostasia, ou seja, fundamentais para a coagulação do sangue em caso de sangramentos.

João Saraiva é onco-hematologista do Hospital Ophir Loyola( HOL) e ressalta que a medula óssea exerce a função de gerar células responsáveis por diversas funções, portanto, é fundamental para o bom funcionamento do organismo. “Quando o paciente é acometido por doenças medulares, como as leucemias e a aplasia medular, há prejuízo na produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas”, afirma o especialista.

Tratamentos

Na rede pública de saúde do Pará, o HOL realiza o tratamento de pacientes com doenças hematológicas malignas. Atualmente, o hospital realiza os transplantes de rim e córnea, e a captação de múltiplos órgãos pelo SUS. E já existe um projeto para a instalação do Centro de Transplante de Medula Óssea no hospital, a meta é iniciar esse tipo de terapia ainda no primeiro semestre de 2022.

O transplante de células-tronco hematopoiéticas, chamado também de transplante de medula óssea (TMO), é reservado a pacientes portadores de doenças graves, tais como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. “Esse transplante visa aumentar as chances de cura e/ou controle da doença do paciente. Mas é válido lembrar que é indicado após criteriosa avaliação de riscos e benefícios aos pacientes, pelo fato de ser terapia com potencial tóxico importante, sendo possível que o próprio tratamento agrave as condições clínicas do paciente", esclarece João Saraiva.

Os principais tipos de TMO são o autólogo e o alogênico. No primeiro caso, o doador é o próprio paciente a partir da coleta de células-tronco, as quais têm o potencial de recompor tecidos danificados, por meio de um processo conhecido como aférese. Posteriormente, o paciente recebe a quimioterapia e recebe as células de volta, sendo essa modalidade reservada principalmente para pacientes portadores de mieloma múltiplo ou em casos de linfomas que se apresentem de forma mais grave.

A moradora do município de Castanhal, Maria dos Reis, 57 anos, descobriu o mieloma há dois anos a partir de dores na coluna. “Passei por quimioterapia, tomei medicamentos e tenho a indicação de um autotransplante. Mas peço que as pessoas se sensibilizem por aqueles que esperam por um voluntário”, apela.

A outra modalidade é o alogênico, que ocorre com a doação de um doador voluntário não aparentado, de uma pessoa para outra. “Nesse tipo de transplante, é realizado um processo de quimioterapia mais potente, que visa reduzir a imunidade do paciente para que ele possa receber a nova medula, sendo reservado principalmente para leucemias agudas e alguns casos de linfoma”, informa o onco-hematologista.

Rosieli Farias, 24 anos, aguardou mais de um ano e recebeu com alegria a notícia de um doador compatível. Ela fez tratamento contra leucemia mielóide aguda e viajou no último mês para a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, onde passou pelo transplante no dia 06 de dezembro. “Aguardo pela recuperação da minha filha e a tão esperada cura”, informou Rosele, mãe da paciente.

Até o dia 14 de dezembro, 321 pessoas foram registradas na fila de espera por um doador, segundo o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). As pessoas não precisam ter receio, a medula óssea se recompõe em 15 dias. Geralmente, os doadores retornam às atividades habituais depois da primeira semana. Uma pessoa pode doar várias vezes, desde que haja um intervalo de seis meses para fazer uma nova doação.

“O doador pode ser aparentado, a partir de um irmão 100% compatível, ou 50% compatível (modalidade chamada de haploidêntico), em que pais e filhos podem atuar como doadores. E os chamados doadores não aparentados cadastrados pela Fundação Hemopa junto ao Redome”, ressalta o onco-hematologista João Saraiva.

As chances de obtenção de um doador não aparentado chega a 1 em 1 milhão em cadastro de banco internacional. E no Brasil, a estimativa é de um doador compatível para cada 100 mil doadores e, em nível regional, de um 1 doador compatível a cada 10 mil doadores. Daí a importância de realizar o cadastramento de um número cada vez maior de doadores voluntários.

Requisitos para se tornar um doador:

– Ter entre 18 e 35 anos de idade, estar em bom estado geral de saúde e não ter doença infecciosa ou incapacitante; não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

– Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

– Com identidade original em mãos, o voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido e preencher uma ficha com informações pessoais. Após a passagem pela triagem com profissionais da área da saúde, será retirado 10ml de sangue do candidato e já faz parte do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea.

Por Leila Cruz (HOL)