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Gameterapia auxilia na recuperação de pacientes

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Antes visto como parceiro do sedentarismo, o videogame deixou de ser opção exclusiva para quem deseja entretenimento. Hoje, é um recurso terapêutico utilizado por hospitais na reabilitação de incapacidades físicas e cognitivas. Em Belém, a equipe de Terapia Ocupacional do Hospital Ophir Loyola usa a gameterapia na recuperação de pacientes em tratamento de doenças cerebrais no Instituto de Neurologia. A utilização de games de memória e softwares com sensores incentiva a atividade cerebral e auxilia na recuperação de movimentos.
 
“A prática combinada a outros métodos tradicionais ajudam a desenvolver capacidades e habilidades perceptomotoras por meio de atividades lúdicas que engajam o paciente. Os jogos eletrônicos ou programas com sensores de movimento aumentam a autoestima, a capacidade cerebral, a concentração, o equilíbrio, a tolerância e a integração social dos enfermos em diferentes condições de saúde”, afirmou a chefe da Terapia Ocupacional, Márcia Nunes.
 
Quem vê Maria Dantas,70 anos, bem-humorada e comunicativa, não imagina a história de vida cheia de dificuldades. Ela é paciente do Hospital Ophir Loyola desde muito nova, quando passou por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no seio. Os assuntos relacionados à família sempre a fizeram perder o sono, sobretudo quando estão ligadas à memória do marido, falecido há 14 anos. A situação agravou com o quadro de depressão e ansiedade que a paciente acabou desenvolvendo.
 
Maria escondeu a situação da família. O filho Mailson Dantas, 29, só descobriu que a mãe precisava de terapia quando passou a acompanhá-la durante as consultas. “Situações simples deixam minha mãe aflita. Uma delas é a permissão do táxi que era do meu pai e faz questão de manter, mesmo com a concorrência dos motoristas de aplicativos”. Além do acompanhamento multidisciplinar, a paciente passa por sessões de gameterapia. “Eu gosto, acho divertido, estimula a concentração e tira o foco de coisas que não devem merecer tanta importância”, diz.
 
Os aspectos lúdicos dos jogos contribuem ainda com uma melhor adesão à terapia durante o período nas clínicas de internação. Essa é a situação de Maria Oliveira, 49 anos. Em março deste ano, começou a ter convulsões, perdeu o movimento do lado esquerdo e apresentou dificuldades cognitivas. Desde o início de julho está internada para investigar o motivo das várias lesões no cérebro.  “Estou na sexta sessão, no início não conseguia fazer as atividades e ficava sem paciência. Agora, além de uma maior concentração, meu humor também teve uma melhora significativa”, comemora.
 
O Instituto de Neurologia é composto pela neurocirurgia e neurologia clínica e oferta atendimento ambulatorial e hospitalar especializado, com planejamento clínico e tratamento individualizados, garantido por uma equipe multidisciplinar.  Somente após avaliação criteriosa, a neuropsicológa encaminha os pacientes à gameterapia com a terapia ocupacional. São aplicadas duas sessões por semana, com duração de 30 minutos cada.
 
Por Leila Cruz