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Terapia Ocupacional incentiva autonomia e bem-estar em pacientes do ‘Ophir Loyola’

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Dia Mundial do Terapeuta Ocupacional, 19 de Janeiro é uma data especial para valorizar profissionais que se dedicam à prevenção e reabilitação de pessoas com alterações físicas, funcionais, cognitivas e psíquicas, em busca de melhor qualidade de vida.  Em Belém, o Hospital Ophir Loyola, referência em oncologia, o trabalho da equipe de terapia ocupacional faz é um diferencial durante o período de internação, que pode ser de médio e longo prazo.

As transformações ocorridas na rotina dos pacientes com doenças graves, como o câncer, afetam não somente aspectos biológicos, mas também psicológicos e as relações sociais. O reconhecimento de questões que vão além da cura da parte física traz vários benefícios ao tratamento das doenças. A assistência deve ocorrer a partir de uma perspectiva integral. 

Reduzir o impacto causado pela rotina hospitalar nos pacientes internados, e fazer com que se sintam acolhidos, é o trabalho da equipe multidisciplinar do Hospital Ophir Loyola, que inclui o terapeuta ocupacional. A chefe da Divisão de Terapia Ocupacional, Márcia Nunes, explica que a equipe trabalha com atividade de vida diária, atividade profissional e atividades de lazer e recreação.  E se uma dessas vertentes estiver comprometida, há indicação para terapia. O objetivo é fazer com que o paciente retome a autonomia.

Segundo a terapeuta, durante a internação, os enfermos preocupam-se com a medicação, cirurgia e o tempo que ficarão no hospital.  Isso faz com que deixem de lado a autoimagem, o lazer, o autocuidado. E, em outros casos, o procedimento cirúrgico e a atual condição clínica interferem na execução de atividades diárias, como escovar os dentes ou a alimentação. O terapeuta ocupacional faz uma avaliação integral do paciente e cria um plano para restaurar aspectos importantes do cotidiano.

“A ‘ociosidade’ durante a internação pode criar um ambiente propício à ansiedade e à depressão. Situações que influenciam diretamente na aceitação do tratamento. Por isso, buscamos oferecer atividades diferenciadas, respeitando as limitações de cada um, com o intuito de amenizar o estresse causado pelo adoecimento, hospitalização e recuperação pós-cirúrgica”, afirma Márcia Nunes.

Ocupando a mente - Fabrício Soares, 19 anos, residente na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, foi diagnosticado com um sarcoma (tipo de câncer que se origina nos tecidos conjuntivos) ao ser internado, após sentir fortes dores ao se machucar em uma partida de futebol. “Receber a notícia de um câncer não foi nada agradável, muda tudo. Já estou há três meses em tratamento, e decidi participar do bingo. É a primeira vez que participo, e consegui me distrair, fiquei animado”, conta Fabrício.

A sensação de bem-estar também é compartilhada pelo engenheiro civil Emerson Ferreira, 37 anos, morador do bairro do Guamá, que está em tratamento contra um câncer de intestino e, sempre que possível, participa das ações. “É uma forma de sairmos do  isolamento e da tensão que enfrentamos por conta da doença. Nós ocupamos a mente com outras coisas e interagimos com as pessoas, fazendo amizades”, diz o paciente.

Os benefícios também são comprovados pela acompanhante de Emerson, Lucimar Antunes, que observa a mudança de humor após as atividades. “Ele já participou do bingo e do cinema. É maravilhoso quando volta. Vem cheio de ânimo e alto astral”, afirma Lucimar.

Oficinas terapêuticas - Atualmente, o Hospital Ophir Loyola dispõe de oito terapeutas ocupacionais e quatro residentes de programas multiprofissionais. A equipe realiza em torno de 600 atendimentos por mês nas diversas clínicas do HOL. A abordagem inclui atividades artísticas e expressivas; manuais, com oficinas terapêuticas e confecção de órteses (que acomoda diversas partes do corpo), e ainda ações lúdicas, que promovem a autoconfiança, autoestima e o bem-estar.

“As habilidades também são oportunidades de redescobertas, motivando os pacientes a repensarem os projetos de vida e a geração de renda, já que alguns deles não poderão voltar às antigas ocupações”, informa Márcia Nunes.

 

Por Lívia Soares