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Ophir Loyola alerta para a prevenção do câncer de colo de útero

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Brasil
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O câncer de colo do útero poder ser evitado em 98% dos casos, o potencial de cura é muito grande quando detectado em estágio inicial. As lesões pré-cancerosas se desenvolvem de forma lenta e são causadas por alguns tipos do HPV- Papilomavírus Humano de alto risco (chamados de oncogênicos), transmissíveis sexualmente. O tratamento adequado dessas alterações impede a progressão para esse tipo de câncer, o mais frequente no sexo feminino no estado do Pará.

Esse problema de saúde pública nacional é mais intenso na região Norte que, segundo o Instituto Nacional do Câncer, destaca-se pela maior incidência e mortalidade da doença no Brasil. A literatura científica aponta um perfil bem definido como fator de risco importante para o desenvolvimento da neoplasia, composto por mulheres com multiparidade (muitos filhos), baixo grau de instrução, renda familiar abaixo de meio salário mínimo e, na sua maioria, só procuram o posto de saúde na fase sintomática, já com a doença instalada.

Celso Fukuda que é oncoginecologista do Centro de Alta Complexidade em Oncologia Ophir Loyola, referência no tratamento do câncer, explica que “a prevenção e o diagnóstico precoce são realizados por meio do exame preventivo, o Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero), indicado pelo menos uma vez ao ano para mulheres com vida sexualmente ativa, porém há casos de pacientes que nem sequer fizeram o exame citológico uma vez na vida”, informa o especialista ao afirmar que no hospital cerca de 70% das pacientes acometidas pela doença está há mais de dez anos sem fazer o exame preventivo e 50% nunca colheu material para a realização do exame.

Ele destaca que de 70% a 80% das pacientes assistidas com câncer de colo de útero são iletradas, enquanto no estado do Rio de Janeiro, a maioria possui o 1° grau completo e a incidência da doença é bem menor comparada com a realidade paraense. Ao contrário do resto do país, no Pará, a exemplo de outros estados do Norte, a incidência do câncer de colo de útero supera a de mama. Somente em 2018, o Hospital Ophir Loyola recebeu 489 casos novos de câncer de colo do útero.

Os dados do Registro Hospitalar de Câncer do HOL dos últimos anos apontam que apenas 0,43% das mulheres chegam ao hospital com carcinoma restritos à área inicial; 12,58% no estágio I (tumor restrito a uma parte do corpo, sem comprometimento linfático) enquanto 39,26% já vem com no estágio II (câncer localmente avançado com comprometimento do sistema linfático ou espalhado por mais de um tecido); 28,20% apresenta o estágio III (localmente avançado, espalhado por mais de um tecido e causando comprometimento linfático) ; 3,25% com metástase à distância (espalhado para outros órgãos ou todo o corpo) e 16,27% não se pode definir o estágio da doença.                                                                

“O Papanicolau está disponível nos postos de saúde, mas existem realidades socioeconômicas e culturais diferentes nas regiões brasileiras, sendo o rastreamento espontâneo menos eficaz na nossa região (Norte), nos bairros de periferias dos grandes centros, nas cidades mais afastadas e na população ribeirinha. Por esse motivo, o rastreamento deveria ser realizado de forma personalizada para cada região brasileira”, defende Fukuda.

No país, o programa de rastreamento é baseado na demanda espontânea; ou seja, a paciente decide se fará o exame preventivo ou não. Para Celso Fukuda, o programa deveria ser específico para cada realidade das regiões brasileiras e também controlado, a exemplo de países como a Finlândia, onde as mulheres são notificadas e agendadas para fazer a investigação da doença.

Segundo Fukuda, o exame preventivo funciona de forma adequada na região Sul, onde o paciente tem mais acesso ao posto de saúde, o grau de instrução da população é melhor ou então a livre demanda ao posto de saúde por procura espontânea é maior. “ A realidade dos estados do Sul contrasta com os estados da região Norte em que a população possui um menor nível de escolaridade e o acesso aos postos de saúde é prejudicado pela distância, principalmente para a população ribeirinha e dos municípios mais afastados”, analisa.

A doença - Silenciosa, surge a partir de uma célula que cresce desordenadamente e pode se expandir para outro órgão, evolução chamada de metástase. Na fase avançada surgem sintomas como dor, corrimento com odor fétido e sangramento irregular. A fase ideal de diagnóstico é quando a paciente é assintomática por meio do Papanicolau ou citologia oncótica. “ O tratamento ocorre com cirurgia na fase inicial quando a paciente pode ser curada ou cirurgia conservadora se deseja ter filhos.  Em casos mais avançados, prescreve-se a radioterapia, algumas vezes a quimioterapia”, informou.

Alguns fatores influenciam no desenvolvimento do câncer de colo de útero: imunidade baixa, tabagismo e contato com o HPV, responsável por mais de 90% dos casos da doença. “O preservativo deve ser usado em todas as relações sexuais e todo indivíduo em idade favorável deve ser vacinado. É um câncer evitável”, enfatiza o especialista.

Há três tipos de vacinação, a bivalente protege do vírus HPV16 e HPV18, a nonavalente (9 sorotipos) disponível na rede privada e a tetravalente - adquirida pelo Sistema Único de Saúde em 2014 - protege contra os vírus HPV 6, HPV 11, HPV16 e HPV18, os dois últimos são mais relacionados com a manifestação do câncer cervical. O Ministério da Saúde recomenda a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, pacientes com HIV de ambos os sexos e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos.

 

Por Leila Cruz