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Dia Roxo informa e conscientiza sobre a epilepsia

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 Purple Day ou “Dia Roxo”, celebrado em 26 de março, é um esforço internacional dedicado a aumentar a conscientização sobre a epilepsia. Essa doença neurológica crônica é caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, que podem causar convulsões, espasmos musculares e perda de consciência. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca 50 milhões de pessoas em todo o mundo tenham a disfunção, que pode surgir em qualquer faixa etária, porém é mais incidente na infância e na terceira idade.

Foi com pequenos apagões, dores de cabeça e vista turva que a epilepsia começou a dar os primeiros sinais para Marcelino Soares, 37 anos, diagnosticado com o distúrbio desde 2008. “Eu tinha crises todos os dias e ‘apagava’ durante alguns minutos. A situação já estava virando rotineira, então procuramos um médico. Hoje em dia, as crises estão controladas com as medicações e consigo levar uma vida mais tranquila”, declarou. 

Em Belém, o Hospital Ophir Loyola, referência estadual em neurologia, mantém um ambulatório exclusivo para o atendimento, orientações e acompanhamento dos pacientes com epilepsia. Desde 2018, é o único hospital na região Norte que realiza a cirurgia para epilepsia refratária no Sistema Único de Saúde. Em 2021, o hospital já atendeu 199 pacientes com esse tipo de disfunção neurológica.

A neurologista Marina Tuma explica que a maioria das crises convulsivas são autolimitadas e de curta duração (de dois a três minutos) e, após um breve período de tempo, o paciente acorda aos poucos e fica bem. “As sequelas geralmente são ocasionadas pelas causas que levam à epilepsia, como Acidente Vascular Cerebral ou traumatismos crânio encefálico”, afirmou.  No caso de Marcelino, aos poucos ele foi perdendo a visão do lado esquerdo e a audição do ouvido direito. 

O diagnóstico é baseado na história do paciente com a descrição detalhada do ocorrido suspeito. Durante uma consulta com o neurologista, algumas perguntas são realizadas para obter informações sobre doenças prévias do paciente, as características da crise convulsiva, o número de crises que o paciente já teve, assim como a solicitação de exames complementares como ressonância de crânio e eletroencefalograma.

Cerca de 70% dos pacientes têm crises controladas com medicamentos antiepilépticos; porém, para aqueles que não obtêm um bom resultado com os fármacos, são consideradas outras opções, como o uso da dieta cetogênica (rica em gorduras e com baixo teor de carboidratos), especialmente em crianças, e a cirurgia. 

Segundo Marina Tuma, casos selecionados podem ser submetidos ao procedimento cirúrgico. “A cirurgia é indicada para um pequeno número de pacientes que devem ser acompanhados por um especialista para conduzir a investigação. A maioria dos procedimentos são realizados devido às malformações no cérebro”, explicou a especialista. 

Há algumas restrições para os pacientes com o distúrbio, é proibido o consumo de bebidas alcoólicas, devem evitar piscinas ou praias desacompanhados, dirigir veículos e trabalhar em atividades que envolvam altura. E devem fugir de situações que desencadeiam convulsões, como não dormir bem e ficar em ambientes com luzes estroboscópicas, aquelas usadas em festas. 

Ainda existe um estigma em relação à epilepsia, muitos acreditam que pode ser transmitida via saliva, urina ou suor do paciente, contudo não é contagiosa. Caso alguém presencie uma crise convulsiva, deve chamar o serviço de emergência (192) e prestar socorro.

Inicialmente, leve a pessoa para um lugar seguro e retire objetos cortantes de perto, mantenha o paciente deitado  com a cabeça em posição lateral para que não sufoque com a própria saliva. E jamais coloque objetos ou o dedo na boca dela, pode morder e quebrar a mandíbula ou machucar o dedo de alguém por estar inconsciente.

“O preconceito traz graves consequências para os pacientes, como depressão, ansiedade e problemas de relacionamento. Por isso, campanhas como o Purple Day são importantes para levar conhecimento sobre a doença e romper com esses mitos que distorcem a realidade”, ressalta a neurologista.

Texto: Viviane Nogueira - Ascom/ HOL